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https://repositorio.uema.br/jspui/handle/123456789/6112| Título: | Representação da senilidade em Memorial de Aires, de Machado de Assis |
| Título(s) alternativo(s): | Representation of senility in Memorial de Aires, by Machado de Assis |
| Autor(es): | Silva, Jocielma Lima da |
| Orientador: | Oliveira, Rubenil da Silva |
| Membro da Banca: | Silva, Francinaldo Pereira da |
| Membro da Banca: | Silva, Wélida Maria Gouveia |
| Data do documento: | 2025-12-18 |
| Editor: | Universidade Estadual do Maranhão |
| Resumo: | O presente trabalho tem como objetivo analisar a representação da senilidade na obra Memorial de Aires (1908), de Machado de Assis, explorando como o escritor constrói literariamente a velhice, seus desafios, angústias e significados simbólicos. A narrativa, estruturada em forma de diário e redigida pelo protagonista, o Conselheiro Aires, evidencia um olhar maduro e introspectivo sobre o processo de envelhecimento, articulando aspectos emocionais, sociais e culturais que atravessam a existência humana. Ao relatar fatos cotidianos, rememorar acontecimentos e observar a vida alheia, Aires revela os limites e as potências da velhice, frequentemente marcada por solidão, rememoração, renúncia e contemplação. Nesse sentido, a obra se torna um importante instrumento para compreender como a literatura machadiana aborda a senescência não apenas como declínio biológico, mas como experiência subjetiva complexa e profundamente vinculada aos afetos e às condições históricas de sua época. A pesquisa ressaltou que, ao lado de Aires, personagens como Dona Carmo e Conselheiro Aguiar representam uma velhice afetuosa, acolhedora e marcada pela ausência de filhos biológicos — lacuna que é ressignificada quando ambos passam a acolher seus afilhados como “filhos do coração”. Tal dinâmica evidencia que o envelhecimento é atravessado por rearranjos familiares e afetivos, mostrando que a velhice pode se reinventar por meio da construção de vínculos e da permanência simbólica dos afetos. Além disso, a presença da escravidão e das transformações políticas do final do século XIX, mencionadas no diário de Aires, demonstra que o envelhecer ocorre em um contexto social específico capaz de moldar percepções, valores e práticas. A análise também indicou que Machado de Assis articula o tema da velhice com questões existenciais profundas, como a finitude, a memória, a passagem do tempo e a fragilidade humana. A senescência, conforme compreendida por autores como Beauvoir (1970) e Bosi (2003), não se restringe às mudanças físicas, mas abrange dimensões psicológicas, sociais e culturais que influenciam a forma como o indivíduo percebe a si mesmo e como é visto pela sociedade. Nessa perspectiva, Aires expressa frequentemente cansaço, desânimo e um certo sentimento de inutilidade, mas também demonstra lucidez, sensibilidade e capacidade de reflexão crítica — elementos que reforçam a ambivalência da velhice, situada entre perdas inevitáveis e possibilidades de significação. Metodologicamente, o estudo fundamenta-se em pesquisa bibliográfica, abarcando produções teóricas de Assis, Beauvoir, Bosi, Candido, Debert, Elias, Schwarz, entre outros, a fim de sustentar a análise interpretativa realizada. A partir desse corpus, foi possível compreender de que modo Memorial de Aires representa a velhice em consonância com discursos sociais da época e, simultaneamente, dialoga com aspectos do envelhecimento contemporâneo, sobretudo diante do acelerado processo de transição demográfica no Brasil. Os resultados apontam que a senilidade no romance machadiano é construída como experiência plural, marcada tanto pela melancolia quanto pela ternura, pela introspecção quanto pelo afeto, revelando um retrato literário que permanece atual. Assim, ao investigar a velhice na obra, o estudo contribui para reflexões mais amplas sobre o envelhecer na sociedade brasileira, estimulando o reconhecimento da pessoa idosa como sujeito de memória, história e sensibilidade |
| Resumo: | This study aims to analyze the representation of senility in Memorial de Aires (1908), by Machado de Assis, focusing on how the author portrays old age and its emotional, social, and symbolic complexities. Structured as a diary written by the protagonist, Conselheiro Aires, the narrative presents a mature and introspective perspective on the aging process, revealing the tensions, vulnerabilities, and affective dimensions that shape human experience in later life. Through recollections, daily observations, and personal reflections, Aires constructs an understanding of old age that transcends biological decline, emphasizing its subjective, cultural, and historical layers.The analysis highlights that, alongside Aires, characters such as Dona Carmo and Conselheiro Aguiar exemplify an affectionate and welcoming old age marked by the absence of biological children. This absence, however, is reinterpreted through the deep emotional bonds they develop with their godchildren, whom they adopt as “children of the heart.” These dynamics reveal how aging involves affective rearrangements and emphasize the role of emotional continuity in redefining family structures. Furthermore, the diary entries referencing the abolition of slavery and the political atmosphere of late nineteenth-century Brazil demonstrate that aging unfolds in a socio-historical context that profoundly shapes individual perceptions and experiences.The study also indicates that Machado de Assis intertwines aging with existential themes such as finitude, memory, the passage of time, and human fragility. Senescence, as discussed by theorists such as Beauvoir (1970) and Bosi (2003), encompasses not only physical transformations but also psychological, social, and cultural dimensions that influence how individuals perceive themselves and are perceived by society. In this sense, Aires frequently expresses fatigue, melancholy, and a subtle sense of uselessness, yet he also displays lucidity, sensitivity, and keen observational skills. This ambivalence reinforces the idea that old age is neither solely decline nor exclusively wisdom, but a dynamic interplay between loss and renewed meaning. Methodologically, the research is based on a bibliographical approach, drawing on theoretical contributions from Assis, Beauvoir, Bosi, Candido, Debert, Elias, Schwarz, among others, to support the interpretative analysis. This theoretical framework enables an understanding of how Memorial de Aires reflects historical perceptions of aging while simultaneously resonating with contemporary discussions, especially in light of Brazil’s rapid demographic transition and the growing visibility of older adults in society.The findings indicate that senility in Machado de Assis’s narrative is represented as a multifaceted experience, marked by melancholy, tenderness, introspection, and affective depth. The portrayal remains relevant today, offering insights into how old age can be understood beyond stereotypes. By examining aging within the novel, this study contributes to broader reflections on old age in Brazilian society, reinforcing the significance of recognizing elderly individuals as subjects of memory, history, and emotional richness |
| Palavras-chave: | Senilidade Velhice Literatura Machado de Assis Senility. Old age. Literacy Machado de Assis - crítica e interpretação Romance brasileiro - Memorial de Aires - Machado de Assis |
| Aparece nas coleções: | Curso de Licenciatura em Letras Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa – Pedreiras UEMA - Monografias |
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| TCC - JOCIELMA LIMA DA SILVA ÃO - LICENCIATURA EM LÍNGUA PORTUGUESA - CAMPUS PEDREIRA UEMA - 2025_1.pdf | PDF A | 382.56 kB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
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