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Título: Memórias e autobiografias como construções dos narradores nos romances infantojuvenis: Cazuza, de Viriato Corrêa e Chiquinho, de Baltasar Lopes
Título(s) alternativo(s): Memoirs and Autobiographies as Narrator Constructions in Children's and Young Adult Novels: Cazuza by Viriato Corrêa and Chiquinho by Baltasar Lopes
Autor(es): Sousa, Erika Maria Albuquerque
Orientador: Morais, Solange Santana Guimarães
Membro da Banca: Carvalho, Diógenes Buenos Aires de
Membro da Banca: Borralho, José Henrique de Paula
Data do documento: 2025
Editor: Universidade Estadual do Maranhão
Resumo: A presente dissertação, Memórias e autobiografias como construções dos narradores nos romances infantojuvenis: Cazuza, de Viriato Corrêa, e Chiquinho, de Baltasar Lopes, tem como objetivo analisar comparativamente os romances Cazuza (1938), do escritor maranhense Viriato Corrêa, e Chiquinho (1947), do cabo-verdiano Baltasar Lopes, a partir das relações entre memória, autobiografia e figura do narrador. A pesquisa inserese na linha de investigação Literatura e Memória do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e propõe-se a compreender como as narrativas memorialísticas e autobiográficas contribuem para as construções identitárias e históricas dos narradores-protagonistas nas duas obras analisadas. O estudo fundamenta-se nos pressupostos da Literatura Comparada, conforme Carvalhal (2006) e Nitrini (2000), articulando as reflexões de Ecléa Bosi (1994) e Pierre Nora (1993) sobre memória, de Philippe Lejeune (1973) sobre o pacto autobiográfico e de Gérard Genette (1972) e Carlos Reis (1980) sobre a teoria da narrativa. O corpus literário foi examinado em diálogo com os contextos históricos e sociais de produção — o Brasil da Era Vargas e o Cabo Verde colonial — buscando depreender as confluências e divergências entre as experiências de formação cultural, educacional e identitária expressas nas narrativas. Os resultados indicam que, em Cazuza, Viriato Corrêa transforma suas lembranças de infância e juventude em uma escrita de si que reflete o projeto nacionalista e educativo do Brasil de 1930, evidenciando a função pedagógica e cívica da literatura infantil. Já em Chiquinho, Baltasar Lopes constrói uma narrativa que, embora igualmente autobiográfica, adquire caráter de resistência política e cultural, ao retratar a seca, a pobreza e o desejo de emancipação do povo cabo-verdiano. Em ambas as obras, a memória individual dos narradores entrelaça-se à memória coletiva de seus povos, revelando um duplo movimento: de afirmação da identidade e de preservação cultural. As duas narrativas, apesar de provenientes de contextos geográficos e históricos distintos, convergem no uso da autobiografia como instrumento de formação e conscientização social. Assim, Cazuza e Chiquinho transcendem a esfera do relato pessoal para assumirem relevância simbólica e histórica, tornando-se expressões literárias de resistência, pertencimento e reconstrução de memória. A pesquisa, portanto, reafirma a importância da literatura infantil e juvenil como espaço de elaboração da memória e da identidade, bem como seu papel formativo na constituição de sujeitos históricos e culturais
Resumo: This dissertation, entitled Memories and Autobiographies as Constructions of the Narrators in Children’s and Youth Novels: Cazuza, by Viriato Corrêa, and Chiquinho, by Baltasar Lopes, aims to conduct a comparative analysis between Cazuza (1938), by the Brazilian writer Viriato Corrêa, and Chiquinho (1947), by the Cape Verdean author Baltasar Lopes. The research investigates how memory, autobiography, and the narrator’s perspective intertwine in the construction of identity and historical awareness within both narratives. Developed under the research line Literature and Memory of the Master’s Program in Letters at the Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), this study seeks to demonstrate how autobiographical writing in children’s literature can function as a means of cultural and educational formation. Methodologically, the work is grounded in Comparative Literature, following Carvalhal (2006) and Nitrini (2000), and draws on theoretical contributions by Ecléa Bosi (1994) and Pierre Nora (1993) regarding memory, Philippe Lejeune (1973) on the autobiographical pact, and Gérard Genette (1972) and Carlos Reis (1980) on narrative theory. The novels are analyzed in light of their historical and social contexts—the Vargas Era in Brazil and colonial Cape Verde—highlighting intersections and contrasts between personal experience and collective identity in both works. The results reveal that, in Cazuza, Viriato Corrêa transforms his childhood memories into a reflective autobiographical narrative that mirrors the nationalistic and pedagogical ideals of 1930s Brazil, emphasizing literature’s role in civic education. Conversely, in Chiquinho, Baltasar Lopes uses autobiography as a form of cultural resistance, depicting the drought, poverty, and search for freedom experienced by Cape Verdean society. In both novels, the protagonists’ personal memories intertwine with collective memory, reinforcing the notion of literature as a space for identity construction and historical continuity. It is concluded that, although arising from distinct historical and geographical realities, both works converge in their use of autobiography as a tool for cultural preservation and social awareness. Thus, Cazuza and Chiquinho transcend individual experience to become symbolic representations of collective struggle and identity. This research reaffirms the formative and emancipatory potential of children’s and youth literature in shaping memory, culture, and consciousness
Palavras-chave: Memória
Autobiografia
Narrador
Literatura comparada
Literatura infantojuvenil
Memory
Autobiography
Narrator
Comparative literature
Children’s literature
Aparece nas coleções:Mestrado em Letras - CECEN - Dissertações

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